domingo, 23 de março de 2014

Eu li - Nu, de botas

Autor: Antonio Prata
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 144
Ano: 2013

Quando me indicaram esse livro (com muitos elogios) resolvi pesquisar mais sobre ele. Uma das coisas mais faladas é: se você viveu sua infância nos anos 80, precisa ler esse livro. Eu nasci nos anos 80, mas minha infância que sou capaz de lembrar foi toda na década de 90 e, apesar de ter vivido situações diferentes das do Prata,  a maneira de ver o mundo era muito parecida.
Nu, de botas traz as memórias de Antonio Prata de uns 5 até mais ou menos uns 10 anos de uma maneira divertidíssima que mistura o olhar de uma criança e o vocabulário de um um adulto. Mas não espere um adulto contando suas memórias, temos a impressão de que Prata volta no passado para nos contar a história da maneira como ele a viveu, ou seja, do modo bem peculiar como as crianças encaram o mundo e suas verdades. Mesmo que use palavras típicas de um adulto, o autor usa os trejeitos infantis para nos contar causos da sua infância, com destaque para os exageros comuns aos pequenos.
O resultado é sensacional, gostoso de ler e engraçadíssimo. Dei muitas risadas altas enquanto lia (situação engraçada no ônibus lotado). Uma das histórias é parecida com uma que vivi, quando me escondi da minha mãe e ela não conseguia me encontrar, lembro dela brigando comigo por eu ter feito aquilo, enquanto eu estava super orgulhosa de ter ganhado dela no esconde-esconde.
Além disso, tem muitas dúvidas que eram as mesmas que a minhas, assim como os medos. Lembro de, como Prata, não gostar de ir para um lugar que "ia ser cheio de crianças da minha idade", achava essa situação assustadora, não tinha muito traquejo social no alto dos meus 7 ou 8 anos de idade.
Apesar de ter situações típicas dos anos 80, como andar no carro sem cinto, o livro pode fazer qualquer um se lembrar da sua própria infância. Porque, apesar de hoje em dia os brinquedos e brincadeiras serem muitos mais tecnológicas, a maneira como uma criança vê o mundo continua sendo a mesma.
Leiam e divirtam-se demais!

sexta-feira, 21 de março de 2014

Eu li - O jantar


Título original: Het Diner  
Autor: Herman Koch
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 256
Ano: 2013

Não dá para falar muito sobre o enredo do livro sem soltar spoilers, mas basicamente a história é sobre o encontro de dois irmãos e suas respectivas esposas em um jantar em um restaurante chique para discutir um acontecimento envolvendo seus filhos adolescentes.E o que os garotos fizeram é pesado.
Os personagens são bem construídos e também bem desconstruídos, ao longo do livro você vai conhecendo bem cada um deles e vendo que são bem diferentes do que mostrado inicialmente. Uns querendo se safar (e safar os seus queridos) a qualquer custo, sem nem ao menos ponderar as suas ações e opiniões.
Do meio para o final, já estava com raiva, querendo entrar na discussão, brigar e dar a minha opinião! Fiquei estressada com aqueles personagens como se eles fossem pessoas reais (podem até ser, não duvido que muitas pessoas não pensem daquele jeito). 
E esse, acho que seja o grande mérito do livro, nos incluir tanto na história. Não dá pra não se envolver. Mais um livro que entra pra lista dos que eu indico.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Eu vi - 12 Anos de Escravidão

Nome original: 12 years a slave
Direção: Steve McQueen
Gênero: Drama
Ano: 2013
Duração: 133 min
País: EUA

O filme é o grande queridinho do momento e dividiu opiniões dos meus amigos, fiquei na dúvida de em quem acreditar. Admito que esperava apenas mais um filme que fala sobre os abusos da escravidão, com clichês mais do que batidos. Em alguns momentos até achei que é isso mesmo que acontece. Já em outros, o filme consegue ser tão intenso e sensível que, no final das contas, entrei para o time dos que acharam o filme realmente muito bom e que trata o tema de uma forma diferente e um pouco perturbadora (houve cenas em que fechei meus olhos).
Mas se engana quem pensa que o filme só faz uso da violência para mostrar os absurdos da escravidão, as cenas violentas são sim fortes e têm sua importância na trama, mas há outras sutilezas que denunciam todas as atrocidades cometidas contra os negros nesse período nefasto da humanidade. A tortura psicológica talvez seja a maior delas.
O filme conta a história real de Solomon Notrhup, um negro do século XIX que nunca havia experimentado a escravidão e que é sequestrado e vendido como escravo. Durante 12 anos, Solomon, que passa a ser chamado de Platt, vive como escravo em uma fazenda de algodão na Louisiana, com um senhor de escravos bastante severo e cruel.
Doze anos de escravidão me deixou perturbada de uma forma mais intensa que outros filmes escravidão/sofrimento talvez por conta da maneira como mostra a objetificação do negro. Para os senhores de escravos do filme, os negros não passam de reles propriedades sobre as quais eles tem todo o direito de fazer o que quiser, de uma forma que não me imagino fazendo nem com um livro meu. Eu talvez tenha mais pena de maltratar um objeto meu, do que aqueles senhores de escravos tinham com suas propriedades. O filme de McQueen mostra isso de forma bem realista incômoda.
Para mim, o filme vale a fama que tem.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Pareidolia

Não sei bem quando parei com tal mania, mas só sei que já faz algum tempo não a coloco em prática.
Quando era criança eu tinha várias delas, tomar banho e não esfregar entre os dedos do pé; deixar a televisão ligada para que meus pais desligassem quando eu dormisse; espalhar a comida no prato para fingir que tinha comido, roer unha; comer salsichas cruas da geladeira, deixando-as com uma mordida dentro do pacote...
Mas de uma delas guardo uma memória especial, a de procurar formas amigáveis em tudo que pudesse, a começar pela mais clássica de todas: as nuvens. Nunca queria achar um carneiro, o legal era tentar encontrar o mapa do Brasil ou um velho narigudo com chapéu e cachimbo ou então uma águia caçando um pequeno rato metros de distância abaixo ou, quem sabe, um velociraptor em ação. Só que nem sempre o céu estava com nuvens branquinhas e fofinhas, mas mesmo assim, a minha mente criativa infantil tratava de procurar algo de interessante em qualquer lugar.
Como no banheiro lá de casa. Lembro de sentar no vaso para fazer número dois e ficar procurando formas nas manchas cinzas dos azulejos, achei Jesus Cristo (que não virou ponto de peregrinação), uma lagartixa com um rabo muito longo, uma barraca de praia e um cachorro com uma orelha de pé e outra caída, acabava sempre demorando mais do que o necessário sentada no vaso.
Outro objetivo inanimado que ganhava vida aos meus olhos de criança era um abridor de garrafas que ficava preso na parede da cozinha da primeira casa que morei, ele parecia ser um sapo com olhos alertas e esbugalhados. O mesmo acontecia com a pinça da minha mãe, bastava um olhar mais atento e ela virava uma planária de um olho só. O despertador da minha avó também escondia, no seu verso, um rosto triste e cheio de verrugas.
As frutas empilhadas na fruteira também poderiam se transformar em um personagem e até mesmo a sombra da copa das árvores da rua podiam esconder algum desenho curioso, bastava que eu estivesse disposta a encontrá-los.
Acho que talvez por isso não tenha mais praticado essa mania, por falta de disposição. Quem sabe eu não tente ser um pouco menos preguiçosa e distraída e pratique um pouco mais da pareidolia.

Post inspirado por este comercial:


quarta-feira, 5 de março de 2014

Eu li - Perdão, Leonard Peacok


Título original: Forgive me, Leonard Peacock
Autor: Mathew Quick
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 224
Ano: 2013

Resolvi ler esse livro depois de ler
O lado bom da vida que gostei muito e me fez querer ler mais do autor.
Perdão, Leonard Peacock conta a história de um dia na vida do garoto do título, mais especificamente o dia de seu aniversário em que ele tem planos: matar seu ex-melhor amigo Asher Beal e em seguida se matar.
O livro tem uma premissa bem boa e uma linguagem muito dinâmica (talvez esse seja seu maior mérito), mas não me agradou tanto quando O lado bom. Talvez porque crie uma grande expectativa em torno de um segredo do personagem principal.
Desde o início do livro, Leonard diz que Asher Beal fez algo que o magoou muito, sem revelar o que realmente aconteceu. O autor cria uma aura de mistério em torno disso, mas no fim das contas não fiquei surpreendida. Não era nada muito diferente do que eu já esperava.
O livro é curto, mas consegue caracterizar bem os personagens: a mãe relapsa de Leonard (impossível ter alguma simpatia por ela), o pai músico e ausente, o vizinho esquisito e camarada e o Herr Silverman, o professor gente boa e preocupado com Leonard. Todos são meio clichês, mas ainda assim bem construídos. 

Acho até mesmo que os personagens são mais densos que o enredo em si. A premissa do livro me deixou com um gostinho de que o livro seria mais profundo. Não que o livro seja ruim, eu fiquei presa pela história e fiquei curiosa para saber o que acontecia com cada personagem e como era o fim.
Mas o final do livro não é nada demais. Não que o final determine se um livro é bom ou não, só que acho que a história prometia mais.
No fim das contas, acho que o livro vale a pena pelos questionamentos que propõe e pela reflexão que podemos fazer em alguns momentos. Não que seja um livro super prosunfo, mas faz a gente parar e pensar em alguns aspectos da nossa vida sim.
De qualquer forma, continuo gostando do autor e já estou com vontade de ler o novo livro dele.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Vergonha

Sheila era uma morena bonita, de seios fartos e cabelos negros cacheados, morava no Méier e trabalhava de segunda à sexta das 9h às 18h, como secretária em uma clínica de exames médicos para empresas (daqueles que temos que fazer quando somos admitidos ou demitidos) no centro da cidade. Mas ela tinha uma grande vergonha na vida: gostava de música clássica.
Todos os dias, Sheila pegava o ônibus e colocava em seu smartphone músicas clássicas para tocar enquanto enfrentava o trajeto de praticamente uma hora que a separavam de sua casa até o trabalho. Por conta dessa vergonha, mudava o nome dos arquivos para que as pessoas pensassem que o que ela escutava mesmo era pagode. Mozart, por exemplo, virava Molejo, Tchaikovsky, Terra Samba, Beethoven, Bom Gosto e assim por diante.
Sheila não sabia explicar muito bem a razão para tal vergonha, mas tinha receio de que as pessoas pensassem que ela era pedante por gostar daquele tipo de música. O fato é que ela escondia esse segredo como quem esconde que come meleca. Como se fosse algo repugnante e inaceitável.
Mas além do gosto pela música clássica, Sheila ainda tinha outro hábito que seus amigos não conheciam: ela fazia bicos em uma casa de suingue. Duas vezes por semana, ela ia para um estabelecimento, em Copacabana, e ficava por lá para o caso de algum frequentador(a) desacompanhado aparecer querendo entrar. Como pessoas sozinhas não podiam frequentar o local, Sheila oferecia sua companhia.
Em um desses dias, a morena aguardava algum solitário chegar, quando deu de cara com o Rogério, um dos médicos da clínica. O doutor, coitado, ficou completamente sem jeito, mas não tinha o que fazer, Sheila já o tinha reconhecido, então, resolveu que ia entrar para não perder a viagem.
Já a secretária manteve o profissionalismo e atendeu o doutor como sempre fazia. Lá dentro realizou todas as fantasias que Rogério propunha, e, entre uma brincadeira e outra os dois começaram a ficar mais íntimos.
A química entre os dois foi tanta que resolveram sair dali e ir para um motel. Passaram a noite inteira praticando as mais estranhas posições. E entre uma posição e outra, Sheila foi tomar um banho e quando volta, viu Rogério mexendo em seu celular. O coração da secretária parou por alguns instantes, a respiração faltou e ela só conseguiu voltar a si quando escutou o doutor falando "Nossa, você também é fã do Molejo? Eu adoro!". Ele não havia escutado as músicas, apenas tinha fuxicado o nome das músicas (um hábito um tanto quanto invasivo), o segredo de Sheila estava a salvo.
O mesmo não se pode dizer da relação entre os dois, ela até aceitou o convite de Rogério para sair mais umas duas vezes. Foram noite de sexo maravilhosas. Mas a verdade mesmo, é que Sheila não conseguiria falar sobre pagode com o doutor pagodeiro a cada vez que encontrasse com ele. Além disso, preferia manter seu segredo a salvo e continuar ouvindo música clássica no ônibus.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Eu li - O lado bom da vida

Título original: The Silver Linings Playbook
Autor: Mathew Quick
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 256
Ano: 2013

Se eu fosse descrever esse livro em apenas uma palavra diria que ele é simples. E foi justamente essa simplicidade que me atraiu tanto na história, é o que torna o livro tão gostoso de ler. Eu já havia visto o filme e, apesar de ter gostado, não entendia muito bem o alvoroço em torno dele, ele é bom e fim. Já o livro merece um pouquinho desse frenesi na minha humilde opinião. O filme é apenas levemente inspirado no que é contado no livro.
A história começa quando o personagem principal, Pat Peoples, (Bradley Cooper, no filme), sai da clínica psiquiátrica onde estava internado desde que havia tido um incidente com sua (ex?) esposa Nikki. Pat não se lembra do que o fez ir para o “lugar ruim” e não sabe quanto tempo ficou por lá, além disso, tem certeza de que irá reatar com sua amada esposa e que a separação é apenas temporária. E Pat é um cara cativante, muito ingênuo e dono de um ótimo coração (disposto a ser gentil), impossível não gostar dele e se identificar com seus dramas.
Outra personagem cativante é Tiffany (vivida no filme por Jennifer Lawrence) que, assim como Pat, já esteve internada em uma clínica psiquiátrica. Tiffany perdeu o marido, um policial, e desde então vem sofrendo com a perda. A personagem é um pouco manipuladora e grossa, mas está disposta a ser uma boa amiga para Pat, mesmo que não encontre as maneiras certas de ajuda-lo.
Há outros personagens importantes na trama como os pais de Pat (o pai no filme é uma figura COMPLETAMENTE diferente da do livro), o Dr. Cliff, seu terapeuta, seu irmão Jake, além de seu melhor amigo Ronny.
A partir dai, a história simples, mas encantadora, se desenvolve mostrando os dramas da mente perturbada de Pat (que é mostrada de maneira bem bacana pela maneira como o autor escreve) e sua busca incansável no reencontro com Nikki.
Vale muito a leitura, mesmo que já tenha visto o filme. São duas histórias bastante diferentes. Arriscaria dizer que apenas os personagens e uma ou outra situação ligam uma coisa a outra.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Festa da firma

Juliana não gostava muito do clima de fim de ano, achava as músicas natalinas todas insuportáveis, a decoração brega, amigo oculto chato, comidas muito calóricas... Mas principalmente ela detestava as festas de final de ano da firma.
É bem verdade que já havia alguns anos que ela conseguia evitar esse evento com as mais variadas desculpas: em um ano havia viajado para visitar uma avó em Minas, que nunca tinha existido, sua família era mesmo toda do Rio; em outro ano tinha ficado muito doente por causa da alergia, que ela mesma havia causado comendo camarão em excesso; teve a vez em que ela tinha terminado com o namorado e estava muito triste para comemorações, quando na verdade estava com ele no motel.
Mas naquele ano, a data chegou sem que Juliana tivesse conseguido criar uma desculpa boa a consistente para faltar ao evento tão temido e detestado. Então, naquela sexta-feira quente (isso se 45 graus a sombra for ainda considerado como apenas quente), ela se juntou aos colegas de trabalho para ir até o local da festa, um sítio afastado.
Logo na entrada da van, ao se juntar aos outros passageiros, Juliana já teve um gostinho de como seria o seu dia, todos muito bem arrumados, com direito a uma das moças do RH usando vestido vermelho e gorro de papai-noel. Durante o caminho, o humor de Juliana não melhorou, as músicas tocadas na van, obviamente, eram natalinas (e das mais bregas que poderia ser possível) e com o trânsito, foram necessárias quase duas horas para chegar ao local, uma verdadeira tortura.
Na entrada do sítio, Juliana percebeu que seu humor só ia piorar, a decoração era natalina, com muitas luzes e frufrus vermelhos e dourados. Tinha até mesmo um papai-noel inflável estrategicamente posicionado para ser fotografado.
O bufe também era temático, com peru assado, tender, salada de maionese, bolinhos de bacalhau e com muito pavê e panetone para a sobremesa. Ela queria evitar comidas calóricas, mas a sua última refeição tinha sido uma fruta no escritório (ela estava tentando manter a forma pro verão com uma alimentação saudável e corridas na esteira), mas seu estômago já urrava com a fome de dez mendigos.
Tentou começar pelas frutas, mas elas eram apenas decoração. Comeu então uma salada, mas é claro que as folhas não conseguiram nem tampar o buraco do seu estômago. Foi ai que Juliana percebeu que teria que ceder e ingerir calorias em excesso (correria em dobro na semana que vem). Começou com o bolinho de bacalhau (era delicioso), pegou um pedaço do peru e pra acompanhar a farofa de bacon e a salada de maionese. Repetiu três vezes.
Por causa da gulodice, sentiu a garganta seca e se entregou a uma cidra. Na sobremesa, fez a piada do "é pra ver ou pra comer" enquanto se servia do doce e do panetone. Mais cidra.
Depois de algum tempo, já estava tirando fotos com o papai-noel inflável e usando um gorro vermelho. Se inscreveu no amigo oculto que ia acontecer na firma na semana seguinte e brigou pelos brindes bregas que incluíam pisca-piscas e grinaldas para porta. Na volta pra casa, fez questão de fazer uma quentinha com bolinho de bacalhau e outra com panetone e pavê e ainda cantou Jingle Bells na van.
Na semana seguinte sua baia do escritório era a mais enfeitada de todas, com direito a globos de neve (constantemente agitados) e luzes, já tinha também decorado a ordem das música do CD da Simone que ela tinha comprado nas Lojas Americanas. Naquele ano, ela foi a mais animada do natal da família, com direito a se fantasiar de papai-noel para as crianças.
Anos mais tarde Juliana estava 15 quilos mais gorda (tinha largado a alimentação saudável de lado e se cansava até de andar para a padaria), morando com 3 gatos (chamados Noel, Claus e Rudolph), que usavam gorro de papai-noel e dividiam com ela a ceia da sua época preferida do ano: o natal.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Eu vi - Simplesmente feliz

Nome original: Happy-Go-Lucky
Direção: Mike Leigh
Gênero: Comédia
Ano: 2008
Duração: 118 min
País: Reino Unido

O filme conta a história de Poppy, uma professora primária que é... simplesmente feliz. Otimista ao extremo, Poppy vê a vida somente pelo lado bom (quando, por exemplo, tem sua bicicleta roubada ou quando dá um jeito nas costas) e em tom de brincadeira, o que faz com que as vezes seja até um pouco chatinha e infantil. Seu tom de voz e maneira de falar lembram muitas vezes uma criança, daquelas bem caricatas na infantilidade.
O começo do filme não é muito bom, um tanto cansativo, me deu um pouco de sono. Mas quis insistir, afinal o filme foi um presente e segundo o presenteador a personagem principal o fez lembrar de mim. 

Valeu a pena insistir, o filme ganha um outro ritmo e engrena em uma boa história. Para contrabalancear a meiguice extrema de Poppy, há Scott, o professor de auto-escola da personagem, uma criatura preconceituosa, estranha, impaciente e que dá até medo em vários momentos. Enquanto Poppy é uma professora gentil e preocupada com seus alunos, Scott é um professor sem paciência e que só se importa com o fato de se o aluno vai ou não ser aprovado no exame de direção.
Além de otimista, Poppy também é uma pessoa que gosta de viver o agora, sem pensar demais no futuro. Bem diferente de sua irmã Helen que é um pouco neurótica com controle.
O filme vai se desenrolando nesses opostos, mas também em similaridades. Poppy e sua roommate, Zoe, são muito parecidas, ambas são professoras primárias que preferem viver o agora sem muitas preocupações com o futuro, além de gostarem de beber. O assistente social que se envolve com Poppy também é bem parecido com ela nas brincadeiras e otimismo.
No fim das contas, achei que o filme passa uma mensagem bonita de otimismo. Poppy é um pouco exagerada, não acho que muitas pessoas sejam verdadeiramente como ela (e nem sei se teria paciência para alguém assim), mas a mensagem que ela passa me fez pensar que o otimismo não é ser cego diante de situações complicadas, mas sim encarar os problemas da maneira mais alegre possível. Fiquei até lisonjeada de ser comparada com Poppy (mesmo que tenha achado que seja pelo fato de gostar de bebida).

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Papo de elevador

Desde que se mudara para o novo apartamento, ela desenvolvera um certo medo de encontrar vizinhos no elevador, não que antes ela fosse uma grande fã dos papos que acontecem dentro dos elevadores, mas agora era ainda pior. Talvez fosse porque todos os outros moradores fossem completos desconhecidos, talvez fosse pelo fato de ter trocado o terceiro pelo décimo quinto andar (o que tornava a viagem um tanto quanto mais longa). Mas uma coisa era certa: ela odiava aqueles papos sobre o tempo ou sobre como o vizinho do 704 sempre parava o carro atravessado ou então como o cachorro do 1206 vivia latindo nas horas mais impróprias. 
Por isso, sentiu um leve incomodo ao abrir a porta do elevador naquela manhã de segunda-feira chuvosa (sempre as piores e mais odiadas nos comentários do facebook) e encontrar quatro vizinhos espremidos naquela caixona de metal, todos muito bem arrumados prontos para seus trabalhos bem sucedidos, o que a fez se sentir ainda pior e pensar: devia ter escolhido aquela camisa de botão e acordado um pouco mais cedo pra dar tempo de passar aquele rímel bom que tinha guardado no armário e que, fazia tempos, não usava. "Putz, e ainda vou ter que me apertar aqui com eles e ainda ficar de costas pra todo mundo enquanto falamos sobre como está demorando pra esquentar esse ano", pensou. 
Bom-dias trocados, arruma daqui, arruma dali e todo mundo estava pronto para a viagem pro térreo. Foi quando finalmente chegou aquele momento tão detestado por ela, a hora do papo de elevador. Ela já estava pronta para dar aquelas respostas padrão "É mesmo chata essa chuvinha para começar a semana" ou "Quando o calor vier, vai vir com tudo mesmo".
Ela não estava nem prestando tanta atenção assim, afinal, dar respostas automáticas não demandava lá muita reflexão filosófica quando ouviu "... de Foucault?". "Oi?", perguntou ela, e o vizinho de terno bem cortado, barba bem feita e perfume importado repetiu "O que você acha da figura do panóptipo de Foucault?". Tudo que ela conseguiu foi dizer novamente "Oi?". Por sorte, a vizinha do décimo oitavo de cabelos cacheados bem arrumados como de propaganda de shampoo se adiantou em comentar "Acho interessante e penso que poderíamos fazer uma associação com o conceito deleuziano de sociedade de controle".
Ela começava a se sentir ainda mais desconfortável que o normal, olhou rapidamente o visor do elevador e ele ainda marcava o oitavo andar. Pensou em fingir que usava o celular e começou a catá-lo dentro de sua bolsa pouco organizada, mas não deu muita sorte em encontrá-lo, talvez o tivesse esquecido ligado ao carregador, como acontecia com frequência. 
Nisso, a outra vizinha de cabelos curtos e roupas moderninhas (mas com certeza de lojas bem caras) continuou a discussão "Isso demonstra um grande problema da nossa atual sociedade:a formação do indivíduo mediante os infinitos procedimentos de sujeição.". E então o vizinho do terno bonito se pronunciou novamente "Acho que a constituição social do indivíduo a partir das verdades traz em sua estrutura o jogo de forças do exercício do poder..."
Quando finalmente, para sua sorte, o visor marcou T, o elevador parou e abriu as portas para alívio dela e do outro rapaz de blusa social azul royal que não havia dito uma única palavra e que, assim como ela, devia estar também achando aquilo tudo muito estranho. E enquanto ela pensava ele também devia ter sentido falta dos tradicionais assuntos sobre o tempo ou cachorro escandaloso do vizinho, ele se despede dizendo "Qualquer coisa, se você quiser, posso te emprestar o 'Microfísica do poder'. É só interfonar, 1703. Bom trabalho!"
Foi quando ela decidiu: iria finalmente ligar para aquele anúncio da casa à venda na vila perto do prédio.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Eu vi - Jogos Vorazes - Em chamas

O filme é a sequência do ótimo Jogos Vorazes que conta a história de uma sociedade baseada na exclusão e repressão e que, a cada ano, realiza os jogos vorazes, uma disputa sangrenta da qual somente uma pessoa sai viva. O evento é uma forma de lembrar aos moradores dos 12 distritos que eles devem continuar obedientes e submissos à capital.
No primeiro filme, conhecemos Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) e Peeta Mellark (Josh Hutcherson), os representantes (tributos) do décimo segundo distrito na 74ª edição dos jogos vorazes. No Em chamas continuamos acompanhando a vida dos dois desafortunados tributos no ano que se seguiu a vitória deles nos jogos.
Como uma forma de comemorar os 75 anos de repressão da revolução, os organizadores dos jogos decidem que os antigos vencedores devem voltar a se enfrentar na arena.
Já dá para imaginar como todos encaram esse terror, não é? Nesse novo filme conhecemos novos ótimos personagens e vemos que as atitudes de Katniss no primeiro filme tiveram resultados, os distritos passaram a se rebelar contra a opressão absurda feita pela capital. O filme é teoricamente para jovens, mas eu acho que vale para todos os públicos, é um filme um tanto quanto violento e trata de temas em geral não presentes em histórias infanto-juvenis. Acho bem legal porque pode fazer refletir sobre as desigualdades que já vivemos na nossa sociedade, além de criar também uma reflexão sobre a valorização excessiva da imagem e da exposição.
Considero Em chamas ainda melhor que o primeiro filme, traz uma Katniss ainda mais angustiada com os dilemas que encontra pelo caminho e o final ainda deixa com um gostinho de quero mais ainda maior que no sfim do Jogos Vorazes.
Isso tudo dá pano para a manga para o último filme da ótima trilogia de Suzanne Collins: Esperança.
Eu que não sou nada ansiosa já li o último livro, claro!

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Eu li - A menina que roubava livros

Nome original: The book thief
Autor: Marku Zusak
Número de páginas: 480
Ano de publicação: 2007
Editora: Intrinseca


Eu gosto muito de ler sobre a Segunda Guerra Mundial, por isso, quando vi a temática de A menina que roubava livros logo fiquei com vontade de ler (admito também que me apaixonei pela capa, acho linda!). Quando penso nesse período da história, logo vem a minha cabeça judeus e holocausto. O tema é sim tratado, mas de maneira bem diferente e do ponto de vista dos alemães e a história é contada por nada mais nada menos que a própria morte. 
Ouvi de algumas pessoas que leram o livro que o seu começo é um pouco chato e cansativo, mas não achei isso. Gostei da leitura desde o princípio. Ele conta a história de Liesel Meminger, uma menina que perde o irmão e é obrigada a deixar de viver com a mãe e para ir morar com uma família adotiva. 
Em sua nova casa, ela conhece seu novo pai Hans Hubermann, com quem desenvolve uma linda relação. Nessa mesma época, Liesel conhece seu melhor amigo, Rudy. Existem muitos outros personagens importantes nessa história, como a mãe adotiva da menina, Rosa e a mulher do prefeito. Além é claro, dos livros. Cada um desses tem uma relação especial com Liesel e interpretam um importante papel no desenrolar da história.
A história do livro é surpreendente em diversos momentos, linda e triste também. Um livro que vale a pena ler mesmo se achar o começo cansativo.
Afinal, quando a morte conta uma história, você deve parar para ler.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Ostracismo

No começo, os dois eram apenas bons amigos, com o tempo, tornaram-se inseparáveis e dai para o casamento não demorou muito. Enfim, ficou impossível pensar em um sem lembrar do outro, eram como arroz e feijão, abacaxi e hortelã, alface e tomate, carne seca e abóbora... Inseparáveis e perfeitos em conjunto!
Foi uma época de ouro para os dois! Sempre eram convidados para os melhores eventos e festas da alta sociedade, e estavam presentes nos jantares mais finos da cidade. Todos comentavam como eram feitos um para o outro e como se portavam bem diante da alta sociedade.
Toda essa fama durou algum tempo e eles aproveitarem bem. Mas não demorou muito para que eles começassem a cansar os chiques, eles então passaram a ser vistos em jantares não tão nobres assim e em companhias não tão refinadas. Logo passaram a ser menos exclusivos e até não eram mais tão bem vindos nas rodinhas mais exclusivas da cidade.
Eles tentaram carreira solo para ver se melhoravam a imagem, mas não não surtiu muito efeito, a ideia deles juntos já é forte demais. Parece que o ostracismo é mesmo o futuro deles ou, pior, a orkutização dessa dupla que já foi tão bem quista entre os mais finos.
Até porque, mesmo eu e você já demos de cara com Rúcula e Tomate Seco por ai.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Eu vi - Um dia desses

Nome original: Any day now
Direção: Travis Fine
Gênero: Drama
Ano: 2012
Duração: 98 min
País: EUA

O filme se passa nos anos 70 e conta a história do casal Rudy Donatello, que trabalha como dragqueen em uma boate gay  e Paul Fliger, um advogado que ainda está "dentro do armário". Juntos eles tentam adotar Marco, um adolescente com síndrome de down que foi negligenciado pela mãe drogada e que acaba indo presa. Mas, como era de se esperar, encontram muitas barreiras por causa da "natureza de seu relacionamento".
Rudy (Alan Cumming em ótima interpretação) e Marco são vizinhos e se conhecem quando a mãe do adolescente vai pra cadeia e deixa o garoto largado à sua própria sorte. Vendo a situação, Rudy resolve procurar Paul (que conheceu na noite anterior na boate onde trabalha) para que ele o ajude com o menino. A partir dai, o filme se desenrola mostrando como a sociedade podia (e pode) ser dura com os homossexuais. Apesar de toda a dureza da história, o filme é de uma delicadeza ímpar. Basta dizer que me emocionei só de ver o Marco usando uma camisa furada.
O filme é lindo, mostra o que já devia ser de conhecimento de todos: família é amor e não uma estrutura rígida e ultrapassada. Recomendo a todos que tenham o mínimo de sensibilidade. Lindo, lindo, lindo! O filme está em cartaz no Festival do Rio e acredito que entre em circuito depois.



quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Eu li - A insustentável leveza do ser

Nome original: Nesnesitelná Lekkost Bytí
Autor: Milan Kundera
Número de páginas: 309
Ano de publicação: 1984
Editora: Companhia de Bolso

Estou há algum tempo em uma vibe de ler alguns clássicos - nacionais ou gringos -, já falei aqui no blog sobre O apanhador no campo de centeio  e achei bem marromeno. Também tentei ler O Grande Gastby, mas achei tão cansativo que não cheguei na metade, vou me contentar com ver o filme com o Leo mesmo.
Com A insustentável leveza do ser a história foi outra. Mesmo com um certo "medinho" do livro, desde a primeira página me empolguei com ele. A história se passa principalmente em Praga e narra a invasão russa do ponto de vista dos quatro personagens principais: Tereza, Tomás, Sabina e Franz. Eu ainda acrescentaria mais um personagem fundamental: a cadela Karenin 
Mas antes de tudo, acho que esse é um livro sobre o amor, mesmo que em muitos momentos fale de decepções amorosas. Além disso, Kundera usa os personagens para falar de questionamentos que temos em nossas vidas como decepção profissional, falta de confiança em si próprio, religião, sexo... e do meu ponto de vista, principalmente, sobre amor.
É um livro de filosofia e também uma narrativa - não é a toa que virou um filme. A história não é linear, o que ajuda o autor a colocar suas indagações, como em um momento em que explica como criou um dos personagens. Isso tudo sem perder o "fio da meada" da narrativa.
É um livro fácil e difícil de ler ao mesmo tempo. Com relação a narrativa, achei que é uma leitura fácil e fluída. Já quanto às temáticas, pode ser um livro complicado, não por trazer questionamentos muito complexos, mas por causar reflexões um tanto quanto incômodas. Pelo menos foi isso que eu senti em diversos momentos. 
Se foi um livro life changing eu não sei, só sei que já entrou para os melhores livros que já li na vida - que é bem eclética, tem Harry Potter, Dom Casmurro, Um dia... - por ser daqueles que ficou na minha cabeça, me fez refletir durante a leitura e por ter me deixado com vontade de ler novamente no futuro.
Em vários livros, eu tenho algumas passagens preferidas, nesse, diversas frases me marcaram ao longo da leitura, mas talvez uma seja mais emblemática:
"Seu drama não era de peso, mas de leveza. O que se abatera sobre ela não era um fardo, mas a insustentável leveza do ser.”

domingo, 22 de setembro de 2013

Rotina

Tem quem diga que a rotina mata, mas é impossível escapar dela (ou da morte). Marina sabia muito bem
disso, só não se resignava e nem deixava que essa fosse sua causa mortis.
Para piorar a rotina de Marina, o seu meio de transporte diário para o trabalho era o metrô. Para ela, sortudos eram os passageiros de ônibus que podiam aproveitar uma paisagem durante a viagem. Mesmo que fosse a da Avenida Brasil.
Numa tentativa de tornar a rotina mais agradável, Marina tinha o hábito de olhá-la como se, a cada esquina, fosse encontrar algo inédito. Como acontece quando estamos em uma cidade que não conhecemos e cada esquina, prédio ou pessoa é uma deliciosa novidade.
No metrô não era possível colocar esse hábito em prática, afinal, é difícil imaginar novidades no escuro dos túneis. Mas é sabedoria popular que há sempre uma luz no fim do túnel. No caso de Marina, a luz estava no alto da escada.
Todas as vezes que subia os degraus para deixar o fundo da Terra, ainda sem conseguir ver nada além do céu, ela imaginava (se enganando deliberadamente) o que veria ao chegar no último degrau. Qual seria a surpresa? Como seriam os prédios? Haveriam árvores? Pombos comendo pipocas jogadas por um velho solitário?
Só que Marina sempre encontrava a mesma cena rotineira, dia após dia. Mas isso não a entristecia por completo, essa autoenganação valia a pena. Aqueles poucos segundos de expectativa antes da triste decepção eram deliciosos. Uma espécie de vício alimentado todos os dias pela expectativa empolgante seguida dos resultado decepcionante, cotidianamente, como um fumante que sabe dos males do cigarro, mas ainda não é capaz de largá-lo. Ela era viciada nesse ciclo de expectativa e decepção constantes.
Mas um dia a decepção não veio. Distraída pela rotina, Marina desceu na estação errada e finalmente encontrou a tão esperada surpresa a esperando no último degrau. Só não se sabe se a novidade foi melhor que a rotina.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Eu vi - O renascimento do parto

Direção: Eduardo Chauvet
Gênero: Documentário
Ano: 2013
Duração: 90 min
País: Brasil

Fui assistir ao documentário depois de ouvir muitos comentários favoráveis ao filme vindos das mais diversas pessoas e sai do cinema com a mesma opinião sobre o filme: ele é ótimo!
Penso, porém, que há de se ter um cuidado, pois acho que o documentário tende a glamourizar demais o parto humanizado, especialmente por causa da edição de imagens que mostram lindas cenas de partos humanizados em casa, enquanto os partos no hospital parecem um verdadeiro filme de terror – daqueles bem sangrentos! Já os discursos são mais sensatos (com exceção do entrevistado que fala inglês com sotaque que dá algumas deliradas) e colocam que os partos no hospital não são esse horror todo em muitos casos.
Mas, glamours a parte, o filme faz mesmo pensar na questão de se colocar o parto como um procedimento médico. Realmente pode ser que seja, há casos em que a cirurgia e intervenção de um médico são a única saída para salvar a vida de mães e bebês. Só que isso devia ser e a exceção e não a regra como vem acontecendo no Brasil, onde mais da metade dos partos já acontece por meio de cesáreas.
O corpo feminino foi feito para ter filhos, então, ele assim os terá naturalmente, a não ser que algo dê errado. Acontecendo isso, o médico deve entrar em ação e ser o herói da história.
O documentário coloca em discussão uma grande questão: somos pacientes ou clientes dos médicos? Porque, pelo pelo grande números de cesáreas eletivas que acontecem no Brasil, parece que o bebê é um produto que é produzido a partir de um procedimento padrão e que deve durar um tempo necessário e acontecer no horário comercial, de segunda a sexta. Não entendo que razão leva uma pessoa a escolher ser obstetra se ela só quer trabalhar nos dias se semana e de 9 às 17. Se quer isso, vai ser funcionário público ou médico de outra especialidade. Acho que alguns profissionais estão precisando rever seus conceitos de ética e compromisso com a profissão escolhida.
Não quero parecer uma hippie roots alternativa prafrentex daquelas bem sem noção, mas, depois desse filme, eu decidi que se tiver um filho, quero que ter um parto natural e, se possível, em casa mesmo. É uma vibe Lagoa Azul demais?
Visitem o site do filme, é bem bacana e acaba com alguns mitos usados como desculpas para se fazer cesáreas.

Pra quem quiser, o trailer:


sábado, 27 de julho de 2013

Eu li - Garota exemplar

Nome original: Gone girl
Autora: Gillian Flynn
Número de páginas: 448
Editora: Intrínseca

Eu adoro um best seller! É só eu ir na livraria que já fico doida para ler uns 10 livros que estão na estante de mais vendidos. Até mesmo 50 tons de cinza eu quis (e tentei) ler. 
Quando vi Garota exemplar na livraria me interessei. Li a sinopse e achei que pudesse ser um daqueles livros que pode prender bastante a atenção. Nunca acho que um best seller vai ser algo que vai mudar a minha vida (apesar de já ter lido alguns especialmente bons e que me marcaram muito), acho que pode ser um ótimo entretenimento.
O livro conta a história do sumiço de Amy (a tal garota exemplar) de dois pontos de vista diferentes: o dela e de seu marido Nick. Ao longo do livro vamos descobrindo a personalidade dominadora de Amy e meio boboca de Nick e também da história do casamento deles, aparentemente normal. O casamento, aliás, é normal, vemos que tiveram bons momentos, mas que passava por uma má fase. O que descobrimos é que, na verdade, um dos dois é um tanto quanto estranho (sem falar quem é para evitar spoiler), o que leva a história ao seu desenrolar rocambolesco.
O livro tem uma frase marcante no verso "O casamento mata". Um clichê, ok, mas achei que ele pudesse tratar mais o tema. Não acho que ele traz algum tipo de conceito que faça as pessoas repensarem seu casamento ou sua vontade de casar.
Eu não tenho muita certeza da minha opinião quanto ao livro, mas acho que no fim das contas ele cumpriu o que eu tinha pensado dele, me divertiu e prendeu minha atenção. No começo ele é meio lento e um pouco maçante, mas depois a história vai engrenando e se tornando bastante rocambolesca. Por isso, talvez, não tenha gostado tanto do final, esperava algo que fosse mais a altura do desenrolar da história. Recomendo para quem quer uma boa opção de leitura de entretenimento. Mais um best seller que não me arrependi de comprar.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Eu vi - Antes da meia-noite

Nome original: Before midnight
Direção: Richard Linklater
Gênero: Drama/Romance
Ano: 2013
Duração: 108 min
País: EUA/Grécia

Antes da meia-noite encerra (?) a história de Jesse e Celine, que começou há quase 20 anos, na ficção e na vida real, dado que o primeiro filme é de 1995. 
Depois de se conhecerem em um trem em Antes do Amanhecer, Jesse (Ethan Hawke) e Celine (Julie Delpy) se reencontram em 2004 em Paris, em Antes do pôs-do-sol, e vivem tudo aquilo que não puderem nove anos antes.
Os dois filmes são totalmente baseados em diálogos (interessantíssimos, a meu ver) do casal. Em Antes da meia-noite não é diferente. A primeira cena que mostra o casal é em um carro e dura muitos minutos sem nenhum corte, um diálogo que realmente podia ter acontecido. A química dos atores ajuda nisso, eles são incrivelmente naturais juntos. Eu os vejo como um casal de verdade que está junto há muitos anos.
Nesse terceiro filme eles estão casados e são pais de duas filhas gêmeas. Jesse ainda tem um outro filho do seu primeiro casamento. A partir daí o filme segue um clichê: casais juntos há muito tempo precisam ter DRs. 
Apesar disso, o filme tem um ótimo ritmo. Até porque, em se tratando de Jesse e Celine mesmo as DRs são interessantes. Eles discutem tudo aquilo que muitos casais discutem. Pode ser clichê, mas é bem verdade que manter relacionamentos longos (e verdadeiros) sem discussões é ligeiramente impossível.
Os românticos  de plantão não precisam se preocupar: entre uma alfinetada e outra, o casal tem os seus momentos de puro romance. E, sendo DR ou não, os diálogos são sempre muito interessantes e bastante sarcásticos em alguns momentos. Mesmo sendo um filme recheado de longos diálogos muitas vezes existencialistas, ele passa longe de ser cansativo, muito pelo contrário, nem vi o tempo passar e fiquei com gostinho de quero mais quando os créditos apareceram.
Nem preciso dizer que amei esse terceiro filme da franquia Antes do. Já quero ver de novo! De preferência uma maratona da trilogia. #hajacafe

terça-feira, 25 de junho de 2013

Eu li - O apanhador no campo de centeio

Tô ficando moderna, mas ainda
amo os livros de papel. Especialmente
o cheiro!
Nome original: The Catcher in he Rye

Sempre quis ler esse clássico, mesmo sabendo muito pouco sobre seu enredo. Sabia apenas que era uma história sobre um adolescente.
Li e nem sei muito o que pensar do livro. Acho que foi um pouco decepcionante, mas talvez por ter lido em uma época errada. De repente, se tivesse lido na minha adolescência teria gostado mais.
Eu não desgostei do livro, mas também não gosteeeeei. Ele não me conquistou, mas também não quis largar antes do fim.
Quanto ao enredo: o livro conta um fim semana na vida de Holden Caulfield, um adolescente de 16 anos da década de 40. Holden acabou de ser expulso do colégio -daqueles bem tradicionais - e decide passar o fim de semana fazendo o que der na telha na cidade de Nova Iorque antes que seus pais fiquem sabendo da sua expulsão.
Holden vai a bares para beber e ouvir músicas, conversa com taxistas, sai com uma menina, fica se lembrando de outra, devaneia sobre seu futuro, encontra a irmã pequena e fala sobre um irmão já falecido, tudo isso com a maior naturalidade, o que talvez nos aproxime dele.
Apesar de ter achado o livro fraco, a certa altura você vê Holden não apenas como um adolescente problemático - e talvez até rebelde sem causa -, mas como uma pessoa com problemas e questionamentos que qualquer pessoa pode ter.
Mesmo que de maneira superficial, o livro é um pouco angustiante em alguns momentos. Temos simpatia e compaixão por Holden. Conseguimos compartilhar os sentimentos dele em alguns momentos. O que eu considero como o grande mérito do livro. Quem tem curiosidade para ler esse clássico, acho que vale a pena! A leitura é rápida e fácil.

Primeiro livro que leio no meu kindle! Adorei ler na tela do kindle é mesmo como uma folha de papel. A vista não cansa. Estou apaixonada pelo meu leitor digital, mas ainda digo que amo ler (e comprar) um livro de papel. Poucos cheiros são tão bons quanto o de um livro novo #alokadoscheiros Mas o kindle tem também uma grande vantagem: seu peso. Livros de muitas e muitas páginas pesam apenas alguns gramas na minha bolsa. A coluna agradece!